Larissa Luz lança o quarto álbum solo, ‘Desmonte’, na sexta-feira, 29 de maio
Jordan Villas / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Desmonte
Artista: Larissa Luz
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ Sete anos após o álbum “Trovão” (2019) e dois após “Fio pavio” (2024), EP que apresentou quatro faixas gravadas com produção musical de Rafa Dias, a cantora e compositora soteropolitana Larissa Luz conserva a alta voltagem da discografia com o álbum “Desmonte”. Na capa, a artista aparece com um megafone, imagem afinada com o conceito de disco que amplifica o discurso de Larissa.
Programado para ser lançado na sexta-feira, 29 de maio, “Desmonte” turbina a fúria dos tambores com a energia do rock, gênero dominante no álbum formatado pelos produtores e arranjadores Danilo Panda e Ícaro Motta com a colaboração de Larissa na criação dos arranjos que dão peso a músicas como “Acorda”, “Intensa” e “Fúria do tambor”, faixa em que se ouve sutil levada de samba, abafada pelo peso do rock.
O trio também assina as composições. É provável que, se desmontadas no formato de voz e violão, as músicas perdessem poder de sedução. No entanto, na arquitetura do álbum, elas funcionam muito bem.
Como exemplifica a faixa de abertura, “D.e.s.m.o.n.t.e”, Larissa Luz flerta com o rock hardcore, veículo para a exposição do discurso altivo da artista. Em “Careta”, a cantora utiliza versos da cantiga popular “Boi da cara preta” para afrontar os machos amedrontados diante do poder feminino.
Quarto álbum solo da discografia de Larissa Luz, “Desmonte” é disco cheio de som e fúria. Em “Sem sal”, a artista questiona a estrutura empresarial do Carnaval de Salvador (BA). Em “Viola”, faixa embasada pela percussão de Lippe Batera, a cantora já avisa de cara que não oferecerá o choro e o lamento esperado do povo negro pela sociedade estruturada em bases racistas.
Por mais que tenha ritmos baianos na gênese do álbum, como o pagodão, como mostram faixas como “Tô me achando”, “Desmonte” pode ser caracterizado como disco de rock, tocado com dose precisa de eletricidade e eletrônica. Danilo Panda (programações e synths) e Ícaro Motta (baixo, guitarra, programações e synths) deram forma a um som em ponto de fervura em sintonia com a quentura do discurso de Larissa, mas sem perder de vista a Bahia, precisamente Salvador (BA), terra natal do ijexá e do samba-reggae.
“Assim como os ritmos baianos, o rock também nasceu de uma matriz negra, mas foi embranquecido ao longo do tempo. O álbum ‘Desmonte’ faz um movimento para trazer isso de volta, para aproximar a transgressão do rock às pulsações do corpo dos gêneros afro-baianos”, conceitua a artista, revelada em escala nacional como vocalista da banda Ara Ketu de 2007 a 2012.
Com dois feats de peso nas duas faixas finais do álbum “Desmonte”, Larissa turbina o discurso de “Antiparasita” com a rapper Áurea Semiseria, potente MC de Salvador (BA). Já “Retomada” traz Zé Atunbí, ex-integrante do grupo Afrocidade, nesse manifesto pelo negro no poder que reitera a força do canto altivo e destemido de Larissa Luz.
Capa do álbum ‘Desmonte’, de Larissa Luz
Divulgação
Fonte: G1 Entretenimento
