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Home»Entretenimento»Romulo Fróes arrasta dores na marcha lenta de ‘Boneca russa’, álbum sobre o renascer das cinzas após a folia do amor
Entretenimento

Romulo Fróes arrasta dores na marcha lenta de ‘Boneca russa’, álbum sobre o renascer das cinzas após a folia do amor

fevereiro 18, 2026Nenhum comentário0 Visitas

Romulo Fróes lança o álbum ‘Boneca russa’ nesta quarta-feira de cinzas, 18 de fevereiro
Luan Cardoso / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Boneca russa
Artista: Romulo Fróes
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ “Boneca russa” – álbum que Romulo Fróes apresenta hoje, 18 de fevereiro, via YB Music – é disco para tudo recomeçar na quarta-feira de cinzas, data estratégica para o lançamento deste álbum conceitual nascido do fim da união do artista paulistano com Alice Coutinho, parceira de vida e música.
Em “Boneca russa”, Fróes versa sobre ausências e feridas, expiando as dores do fim de um amor que atravessou muitos Carnavais. “Agora foi, não vai mais voltar atrás / … / E seu bloco não para pra mim”, resigna-se o poeta em versos de “A hora mágica”.
“Fim do mundo na avenida”, corrobora verso de “A vida que já era”, com alusão ao samba “A mulher do fim do mundo” (2015), música mais conhecida da parceria de Romulo Fróes com a ex-mulher Alice Coutinho, poeta e letrista.
“Boneca russa”, a propósito, também pode ser caracterizado como um disco de samba. Ou samba-canção. Mas um samba que segue no passo torto típico da obra de Romulo, sem cadências bonitas. Um samba que se insinua mais nas intenções do compositor do que nas formas finais das 13 composições. Até porque “Boneca russa” é álbum produzido por Marcelo Cabral e Romulo Fróes no inusitado formato de voz e baixo.
A voz é de Romulo. O baixo é de Cabral. Um baixo que fricciona o tempo todo, fazendo sangrar as feridas, e que pode soar elétrico e rascante como uma guitarra, como em “A casa de pé”. Ou soar percussivo, como em “Vaso ruim”.
Por ser incomum, a embalagem de voz e baixo aviva e tensiona canções de alta voltagem poética. “Água de rio parada no fundo do poço / Pele de choro na lágrima seca sem água / Não vale nada o berro enterrado na areia / Não estilhaça o verbo cavado na cara”, rima torto o poeta em “A felicidade perdida”, parceria de Romulo Fróes com Rodrigo Campos, bamba do samba de São Paulo no século XXI.
“Canto de uma vez / Sem dó de mim, sem dó de mim”, enfatiza Romulo com a intencional apatia que pauta “O mesmo fim”. Ao fim da faixa, a dor emerge funda, da alma do baixo de Marcelo Cabral.
Sem repetir versos das 13 músicas que compõem o repertório inteiramente autoral e inédito do álbum “Boneca russa”, Romulo Fróes de fato inventaria a dor sem dó. “Abra meu corpo, boneca russa, / Cave bem fundo até a ferida / Enche de ar o pulmão e tussa / O sangue da triste figura escondida”, suplica o poeta nos versos da música-título “Boneca russa”.
Músicas como “Renda portuguesa” parecem imersas em estado letárgico. O amor acabou e, com ele, se foi a pulsão de vida, recobrada aos poucos entre rimas de versos imperfeitos. “Não vai mais doer / Nem desafinar/ Não precisa crer / Amaldiçoar / O que não se vê / Não se pode imaginar”, reflete o poeta nos versos de “Minha vida sem você”.
“Por que tenho que tocar o chão? / Minhas pernas não me deixam voar / Levo o peso de uma multidão / Sou do bloco que não pode parar / … / Tremulando a quarta-feira / Empurrando o meu cordão”, canta Romulo em “Um estandarte para mim”, cuja letra foi escrita sobre melodia enviada pela parceira Ná Ozzetti, na marcha lenta do álbum.
Sim, “Boneca russa” é álbum arrastado que flagra um homem no fim do mundo afetivo, entre destroços emocionais, matéria-prima de músicas como “Um domingo sem fim” e “Assim que era”.
E, se todo Carnaval tem seu fim, a dor também cede às frestas de luz que iluminam a escuridão afetiva. No caso, a luz vem de Olga, filha de Romulo Fróes e Alice Coutinho, parceiros na canção batizada com o nome de Olga e alocada ao fim do disco com áudios da menina ao término da faixa.
“Olga” é promessa de vida no coração de Romulo Fróes após o arrastão de dores de amor. É como se “Boneca russa” sinalizasse que tudo pode recomeçar na quarta-feira com o renascer das cinzas após o Carnaval e o fim de uma folia de amor.
Capa do álbum ‘Boneca russa’, de Romulo Fróes
Desenho de Romulo Fróes com design de Thiago Lacaz

Fonte: G1 Entretenimento

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